sábado, 24 de julho de 2010

Brava gente brasileira

Ontem, enquanto assistia ao programa Hoje em Dia, vi de relance uma reportagem sobre declarações polêmicas de Sylvester Stallone sobre o Brasil. Na hora, não dei muita importância, pois estava almoçando e não prestei muita atenção à notícia. Contudo, à tarde, quando acessei o Twitter e vi que "CALA BOCA SYLVESTER STALLONE" estava nos Trending Topics, resolvi ler um pouco melhor o que acontecera.

Para aqueles que não sabem, Stallone filmou cenas do filme Os Mercenários no Brasil. Tal filme tem em seu elenco todos - sim, todos - os atores famosos por filmes de ação dos últimos tempos. A atriz brasileira Gisele Itié, conhecida por interpretar Bela, a Feia, também compõe o elenco do longa. Houve certo tumulto durante as gravações do filme, obviamente graças à falta de infra-estrutura das locações para ambientar algo de tamanho porte. Era de se esperar, portanto, que os envolvidos na produção demonstrassem descontentamento com isso.

Entretanto, Sylvester Stallone notou algo além da carência de segurança e estrutura no Brasil. Ele foi adiante e fez a seguinte declaração.

"Gravar no Brasil foi bom, pois pudemos matar pessoas, explodir tudo e eles diziam obrigado. Diziam 'obrigado, obrigado e leve um macaco'. Pudemos explodir vários prédios e todos ficaram felizes e ainda trouxeram cachorros-quentes para aproveitar o fogo"

Criou-se em circo em torno do depoimento do ator. No entanto, por acaso ele disse alguma mentira? Sempre que um famoso chega ao Brasil, é criado um caos. As pessoas não se controlam, mendigam a atenção do artista e se humilham somente para que ele esboce um sorriso ou se sinta querido. Sim, é exatamente isso. O ator da saga de filmes Crepúsculo, Taylor Lautner, recentemente comentou a "empolgação" (para não dizer insanidade) de suas fãs quando visitou o país. O vídeo pode ser visto aqui.

Embora não tenham dito exatamente o mesmo, ambas as afirmações dos atores americanos apontam para fatos semelhentes. A sociedade brasileira não admite que pessoas de fora digam verdades a nosso respeito. Os fãs brasileiros não são em sua totalidade somente receptivos. Há uma grande parcela tresloucada que age como um animal diante de um pedaço de carne fresca. Não existe amor-próprio, apenas necessidade de mendigar a atenção de qualquer pessoa que venha de fora pelo simples fato d'ela ser famosa e possuir certo status. Não existe dignidade, apenas vontade de agir cegamente e achar que está fazendo bonito.

O que mais me intriga em toda essa história é saber de onde surgiu essa característica do brasileiro de louvar qualquer pessoa com destaque na mídia. O que o Stallone disse é o verdadeiro retrato do Brasil. "Pisem à vontade desde que a gente receba um autógrafo e um sorriso. Nós não nos importamos em passar fome, ficar sob o sol, deixar de trabalhar ou tomarmos chuva somente para te ver." Alguns dizem que isso é ser fã. Eu digo que isso é falta de dignidade, de amor-próprio e de noção da realidade. Para mim, isso não demonstra em nenhum momento o tal "orgulho de ser brasileiro" que aparece como justificativa quando algum estrangeiro "ataca" o Brasil... Muito pelo contrário, aliás.

Qual foi a mentira que os dois disseram? Nenhuma! Em algum momento os dois chegaram a dizer que o nosso país é ruim, que não há nada de bom aqui? Não! Apenas constataram o que é óbvio para alguns, mas que outros jamais admitirão. Talvez isso seja apenas relutância em admitir que está errado, que as justificativas não condizem com os atos. O que não é coerente é que essa adoração cesse a partir do momento em que o calo foi pisado.


No fim, a percepção da ignorância só chegará em alguns anos. Até lá, continuaremos a presenciar esses ataques de falso patriotismo, de "orgulho de ser brasileiro". Quem dera o brasileiro tivesse esse mesmo furor na hora de votar, ser bem informado e exigir seus direitos...

segunda-feira, 19 de julho de 2010

O verde é o novo preto

Um aviso aos navegantes: o post de hoje é verde. Até hoje, eu não tinha feito nenhum post voltado à sustentabilidade, à preservação do meio ambiente ou qualquer assunto semelhante. No entanto, enquanto assistia ao reality show americano Top Chef (competição culinária entre chefs de cozinha, dã), prestei bastante atenção a um costume bastante encorajado pelo programa: o uso de eco bags.

Para aqueles que não conhecem, ecobags são justamente aquelas sacolas que podem ser reutilizadas, sendo geralmente feitas de lona, por exemplo.
As sacolas reutilizáveis podem até ser feitas de fibra de cana de açúcar (olha a oportunidade, Brasil) e bambu!

Dando continuidade, no programa que mencionei acima, os participantes realizam todas as suas compras numa rede de supermercados chamada Whole Foods. Esse lugar só utiliza esse tipo de sacolas: não há absolutamente uso algum de sacolas plásticas. Aliás, elas são dispensadas inclusive para empacotar alimentos. Usa-se aquele tradicional papel marrom para embrulhar os frios, por exemplo. E tudo é transportado nessas sacolas que são, aliás, muito bonitinhas. A propósito, o site dos valores deles é um show à parte. Eu fiquei impressionada com a simplicidade das mudanças que eles fizeram e o impacto que é gerado.

Campanha semelhante foi iniciada no Brasil e é apoiada pelo Carrefour. A iniciativa se chama Saco é um Saco e pretende diminuir a utilização de sacolas plásticas. Vejam bem, reduzir, não abolir. Não se pode negar que as sacolinhas plásticas possuem lá suas vantagens e chegam a ser bastante práticas quando usadas para armazenar o lixo. O problema existe no tratamento inadequado que a maioria das pessoas dá às sacolinhas. Andando nas ruas daqui da cidade, é possível encontrar literalmente dezenas dessas sacolas jogadas em qualquer lugar, inclusive nos bueiros. Aí reclamam quando as ruas se enchem na época da chuva porque a água não tem para onde escoar...

Enfim, eu reconheço que simplesmente extingüir o uso desse tipo de embalagem criaria alguns transtornos iniciais, principalmente para as empresas fabricantes. Algumas podem chegar a clamar perda de faturamento, mas deveriam na verdade enxergar esse problema como uma oportunidade. Atualmente, tem havido razoável esforço para adaptação da sociedade às novas demandas ambientais. E, para isso, novos produtos deverão ser criados, o que poderá criar novos nichos de atuação no mercado. A janela se fecha aqui, mas se abre logo adiante.

Tantos produtos ambientalmente corretos têm sido desenvolvidos atualmente ou aperfeiçoados. Existem decoradores de interiores e arquitetos voltados, por exemplo, ao planejamento das cozinhas verdes. Há empresas cujo foco têm sido desenvolver novos métodos de geração e reaproveitamento de energia. Aqui na cidade existe uma empresa incubada que se destina à reciclagem de óleo de cozinha. E existem empresas que fazem as ecobags. Ou vocês acham que o consumidor compra apenas uma e deixa pra lá? Com o aumento do poder de compra, a tendência é justamente comprar mais. Transportar mais produtos exige mais sacolas. A diferença é que são ecologicamente corretas.

As mudanças geradas ao consumidor também podem ser de fácil adaptação. Os supermercados poderiam oferecer as sacolas, mas em quantidades limitadas às pessoas. Sem falar que produtos de horti-fruti vêm em sacolinhas plásticas, as quais poderiam ser guardadas para uso posterior após alguma forma de limpeza. Aliás, o blog do Saco é um Saco recomenda que se leve uma sacola plástica ao fazer compras para armazenar produtos que não podem ter contato direto com outros, como os de limpeza. E se você acha que sua ecobag é feia, você pode muito bem customizá-la e deixá-la da maneira que julgar mais bonita.

As medidas que entrarem em vigor no Rio de Janeiro da semana passada deveriam servir de inspiração para todos os outros estados. Tenho conhecimento que grandes redes de supermercado já se esforçam para reduzir o uso de sacolas plásticas, quer seja distribuindo as reutilizáveis, quer seja trocando as embalagens plásticas por aqueles grandes sacos de papel marrom, ou até mesmo embalando as compras com caixas de papelão. É uma pena que outros achem que não tiveram tempo para se adaptar, pois a lei foi criada ano passado e eles tiveram um ano para se adaptar...

O homem existe hoje em dia porque foi capaz de se adaptar a situações diversas ao longo dos anos. Essa é mais uma delas. Essa é talvez a mais simples delas. O verde é o novo preto.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

VMB - is this real life?

Eu demorei bastante para pensar num assunto para o post de hoje. Era para eu ter escrito algo ontem, mas a inspiração não chegava. Li diversas reportagens, vasculhei alguns sites e nada. Quando já tinha praticamente desistido, eis que abro o Yahoo! e me deparo com esta notícia sobre os indicados ao VMB 2010. Confesso de antemão que já sabia o que me aguardava. Duas palavras. Vergonha. Alheia.

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Artista do ano:
Otto, Fresno, Restart, Nx Zero, Sandy, Pitty, Mallu Magalhães, Capital Inicial, Skank, Arnaldo Antunes.

Em primeiro lugar, ausência de critérios define essa categoria. Acho que enfiaram numa sacola o nome de todos os artistas brasileiros e foram tirando um a um para decidir os concorrentes. Quer dizer, Arnaldo Antunes, Skank e Sandy competindo com Pitty, Restart e Nx Zero? Era de se esperar um mínimo de coerência...

Em segundo lugar, o que o Capital Inicial fez? O Dinho Ouro Preto não esteve afastado da música por conta de seu acidente? Que eu saiba, eles lançaram algum material novo cerca de um mês atrás. MTV, você jura que já deu tempo dessa banda se consagrar artista do ano?

Restart. Eu vou é dar um restart na MTV, isso sim. Meu Deus do céu. Um artista do ano possui talento, diferencial, criatividade e impacto musical. Qual foi o impacto do Restart? Gerar o bordão "puta falta de sacanagem"? Eu poderia encerrar o post por aqui.

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Hit do ano: Restart (Levo Comigo); Nx Zero (Só Rezo); Skank (Noites de um Verão Qualquer); Sandy (Pés Descalços); Pitty (Fracasso).

Nada contra Skank ou Sandy. Aliás, não que eu goste da Sandy, mas admiro o esforço dela de cantar bem, escrever as próprias músicas e de se manter no meio artístico desde criança. Agora, percebam como as músicas do restante são expressivas. Só rezo. Sim, você deve só rezar mesmo para conseguir ter sucesso fazendo tanta música ruim, Nx Zero. Só reza mesmo salva vocês. Fracasso. Você fracassou mesmo como projeto de Rita Lee, Pitty. Levo Comigo. Eu também levo comigo as lembranças do tempo em que vocês não existiam, Restart.

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Revelação: Restart, Hori, Hevo 84, Replace, Karina Buhr.

Não faço idéia do que são os três últimos. Nunca ouvi sequer falar da existência de nenhum deles. Hori é a banda do Fiuk e, na minha opinião, deveriam ter indicado somente ele. Não é que eu goste dele, mas só se fala dele. A banda é totalmente coadjuvante, bem no estilo de cantores solo que contam com banda de apoio, como Daniel, Roberto Carlos, etc.


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Rock: Pitty, Capital Inicial, Glória, Strike e Nx Zero.

Meu. Deus. do. céu. O que estavam na cabeça quando elaboraram essa categoria? Quer dizer, desde QUANDO ser artista de rock significa somente ter guitarra, baixo e bateria no grupo? Indiquem o Calypso da próxima vez! Chimbinha toca guitarra também!

Qual é a contribuição dessas bandas para o rock brasileiro? Eu sinto pena de saber que esse estilo musical é representado no Brasil por bandas sem o menor senso de bom gosto, de conhecimento musical. Só servem para cantar músicas sobre o mesmo assunto, com o mesmo tom, com o mesmo ritmo. Originalidade? Só se for em relação aos penteados. Protestos? Somente sobre ter desilusões, tristezas. Isso é uma vergonha. Juro que li isso esperando o Serginho Mallandro aparecer na tela e soltar um HÁÁÁÁÁ!

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Pop: Mallu Magalhães, Sandy, Fresno, Lulu Santos, Restart.

Mais uma da série: se comentar, estraga.

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Artista internacional: Paramore, Black Eyed Peas, Green Day, Justin Bieber, Tokio Hotel, Jay Z, Ke$ha, Katy Perry, Lady Gaga, Beyoncé.

Extraído provavelmente do Top 10 da Billboard, sem o menor trabalho de se preocupar com qualidade dos trabalhos.


Como vocês podem ver, eu não comentei categoria a categoria. A razão: eu não conheço praticamente nenhum dos outros indicados e não saberia o que dizer sobre eles. Além disso, eu poderia escrever por horas e horas sobre o que penso a respeito dessa premiação. O resultado não seria lá muito educado.

O que mais me dói é que esse prêmio representa, sim, o que se passa atualmente na música brasileira. Carência de talento, excesso de glitter. Se vai ser uma fase, somente o tempo nos dirá. Por enquanto, a perspectiva é a seguinte: apague a luz o último que restar.


segunda-feira, 12 de julho de 2010

Vínculos virtuais

Olá a todos que acompanham o blog e esperavam por novas postagens. Confesso que estava bastante ansiosa por fazê-las, pois eu realmente gosto daqui. Bom, agora que estou de férias, nada mais justo do que dedicar meu tempo a escrever quando surgir alguma inspiração. Obviamente, foi o que aconteceu.

Antes de mais nada, notaram a mudança de layout? O Blogger me surpreendeu positivamente mais uma vez. Ia postar hoje à tarde, mas notei uma novidade relacionada à edição de design assim que fiz o login. Bom, agora o Blogger oferece diversos planos de fundo e combinações de cores e estilos para a montagem do blog. Enfim, eu gostei muito e espero que vocês também. Mas vamos ao que interessa: o post de hoje.

A inspiração surgiu ontem enquanto assistia a uma reportagem no Fantástico sobre o que os atletas pensam de si. Embora já soubesse que muitos se consideram acima do bem e do mal, fiquei completamente chocada como aquilo que chegam a fazer. Mas o que mais captou minha atenção não foi o comportamento inadequado deles, mas o posicionamento dos clubes em relação a eles. Para ser mais precisa, foi o comentário do Renato Gaúcho sobre os jogadores, ao dizer que não faz nada para impedir que eles ajam como bem entenderem.

O recente caso do goleiro do Flamengo, por exemplo, é somente mais um episódio nessa saga com incontáveis capítulos. O clube de futebol afastara o goleiro quando as investigações iniciaram, mas logo designou uma comissão para avaliar qual o melhor posicionamento deveria adotar. A seguir, quando a polícia constatou aquilo que todos já sabiam, o contrato dele foi suspenso, sua imagem foi removida dos painéis do pentatri espalhados pelo Rio de Janeiro e o contrato com o patrocinador acabou.

É óbvio que fariam isso: quem quer ter seu produto associado a alguém cuja imagem foi manchada por tempo indeterminado? Ninguém. Contudo, o Flamengo tem um retrospecto recente de atletas envolvidos com práticas ilícitas, vide Adriano e Wagner Love. Porém, o que o clube faz? Tira o seu da reta, claro. Pimenta nos olhos dos outros sempre é refresco.

Não são os jogadores o bem mais precioso dos clubes de futebol? Era de se esperar que, portanto, mais cuidado houvesse com eles. É notável que eles têm fama de se considerarem acima das leis. Junte a isso o fato de os clubes serem permissivos, compactuarem com isso. De que adianta realizar as famosas concentrações se no âmbito do cotidiano quaisquer tipos de comportamentos são aceitos? Consumo de drogas, participação no tráfico, envolvimento com muitas mulheres ao mesmo tempo, atrasos, violência... Fatos assim são de conhecimento dos times, mas tolerados ou no máximo dignos de uma advertência oral, uma conversa mais dura com o técnico.

Aliás, por que será? Técnicos e dirigentes muitas vezes chegam inclusive a participar disso. Sim, os jogadores já são adultos e vivem suas próprias vidas. No entanto, isso de alguma forma vai interferir, sim, em seu desempenho e, por conseguinte, no próprio clube. No exterior, por exemplo, existem, sim, casos semelhantes aos do Brasil. Contudo, quando se descobre, há punições: abates salariais, afastamento do grupo, banco de reservas, só para citar algumas. Após, há tratamento ou consultoria com psicólogos, mais rigidez na fiscalização da vida pessoal, mais exigência quanto ao comprometimento do atleta.

Tidos como invencíveis ou infalíveis, aqui os jogadores muitas vezes impedem essa fiscalização, esse controle, e se revoltam quanto a isso. Novamente, há permissividade. É claro que isso está totalmente errado. Quem manda? Quem contratou? Quem paga o salário? Quem garante a exposição do atleta?

Sem essas desculpas de pressão, de ter que corresponder. O jogador de futebol é um profissional como outro qualquer. Por acaso, se tornou supervalorizado. Há feitos, sim, muito dignos de admiração. Mas, no final das contas, é como qualquer trabalhador que recebe para fazer o que sabe. Sim, falha, tem problemas de saúde, mas ainda assim é sujeito a cumprir e respeitar regras. Não há nada que lhe garanta fazer o que quiser, absolutamente NADA.

A interferência, na minha opinião, deve partir do clube. Este é, aliás, o principal interessado na boa forma do atleta, física e mental. As cobranças deveriam aumentar, bem como a participação na vida pessoal e uma exigência maior de comprometimento com o aquilo que é certo. As cobranças atualmente existentes se resumem às quatro linhas, o que não é suficiente. É um absurdo esse desencargo de culpa, esse distanciamento entre atleta e clube, esse vínculo meramente empregatício e virtual entre eles. Isso é totalmente errado. Isso é o que conduzirá à existência de tantos mais Brunos, Adrianos, Felipes Melo, Wagners Love, entre outros...

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Itajubá - cidade fácil (?) de ser amada (?)

Atendendo a pedidos e após 1 mês e 17 dias sem postar, cá estou eu. Confesso que senti falta de escrever, mas o tempo tem sido bastante escasso. Quando tenho tempo livre, estudo. Quando não estudo, não consigo pensar em coisas para escrever porque me sinto mais cansada ainda... Pois é, o terceiro ano anda bastante complicado... Parece que não importa o quanto eu estude: eu não vou tão bem quanto espero. Sabe, se eu estivesse vadiando, até me conformaria... Mas estudando como ultimamente, é de sentir uma frustração sem tamanho.

Entretanto, ultimamente tem havido uma frustração ainda maior na minha vida e ela atende pelo nome de Itajubá. Moro aqui há quase 20 anos e confesso que jamais tinha parado pra pensar no quanto ela me deprime. Geralmente essa sensação ocorre nas férias, quando acabo ficando sozinha aqui na cidade, mas é justamente por essa razão! Agora, tenho tomado uma birra tão grande daqui que chega a me dar coceiras...

Itajubá sempre foi uma cidade pacata, pequena, com pessoas educadas e NOT. Educadas? Quando? Onde? A comprovação disso é o trânsito da cidade. A frota de carros daqui é desproporcional a uma cidade com apenas 90 mil habitantes, pouquíssimas vias asfaltadas. No entanto, as pessoas saem com seus carros achando que estão no quintal de casa. A educação manda seguir as leis de trânsito. A ignorância manda não respeitar preferência da rotatória, DESFILAR na frente dos carros, andar de bicicleta competindo com caminhões, estacionar na esquina, roubar pinos dos pneus...

Eu ia redigir um parágrafo sobre as carroças que disputam o trânsito com os carros. Mas isso fala por si só. Existem carroças aqui. Eu vi esses dias uma delas na garagem de uma casa. O cavalo estava triste, coitado.

Engana-se você que pensa que a falta de educação é exclusividade do trânsito. Isso parece ser marca registrada até mesmo de vendedores e balconistas. Atendem não como se estivessem exercendo uma obrigação, mas como se o consumidor o tirasse do sossêgo, da paz, da boa vida. Às vezes, eu sinto medo de pedir auxílio a alguns profissionais com medo de levar um soco por interferir no ócio deles. Quer dizer.

Por fim, a maior falta de educação - e a maior ignorância do itajubense - diz respeito ao cuidado com o lixo. Aliás, falta de cuidado. Eu nunca vi uma cidade tão suja quanto essa em toda a minha vida. Não que eu conheça muitas cidades assim, mas nenhuma é tão imunda. Você encontra todo tipo de coisa no chão e nos terrenos baldios daqui. As pessoas simplesmente parecem não compreender que o objeto se chama lixeira porque serve para comportar o lixo! Sem falar que um terreno baldio está vazio não pra você jogar lá seu sofá velho, mas porque o dono ainda não construiu nada lá! Será que é tão difícil seguir essa linha de raciocínio? Não é difícil, mas é mais fácil culpar o prefeito pela enchente que ocorre pelos bueiros entupidos.

A falta de opções de entretenimento é provavelmente o tópico mais explorado quando falam de Itajubá. Aqui não há simplesmente opções de lazer. Eu conto nos dedos os locais a que posso ir que não sejam botecos imundos. Existem pontos de alimentação ótimos. Mas é só. Nenhum parque, nenhum boliche, nenhum centro de recreação, NADA. A maior diversão por aqui é ir à casa dos outros.

E vocês sabem qual é a maior? A UNIFEI expandirá o Campus e criará o segundo maior Parque Tecnológico do País, o que dobrará o tamanho da cidade até 2015. Eu estou falando sério. As obras inclusive já começaram. A Helibras expandirá também o tamanho da fábrica e criarão, ano que vem, um curso de Engenharia Aeronáutica lá na universidade. Parabéns, que beleza, excelente iniciativa. Perguntem-me se a infra-estrutura da cidade tem se adequado a essa excelente oportunidade...

Eu fico triste em pensar no potencial que Itajubá tinha dez anos atrás. Potencial que foi totalmente desperdiçado, que é deixado de lado pela população ignorante e despreocupada que aqui mora. Por aqui, a maior preocupação não é a expansão da cidade, mas o capítulo de ontem da novela, a amante do vizinho, a morte de algum desconhecido, a vida alheia.

Por que essa cidade não cresce? Porque quem pode se mobilizar para fazer a diferença simplesmente vai embora por não suportar o cotidiano daqui. Mas, na minha modesta opinião, o que mais sustenta isso é o comodismo e o tradicionalismo enraizados na cultura de Itajubá. Com isso, cidade nenhuma evolui, cidadão nenhum cresce.