domingo, 10 de janeiro de 2010

Isso me dá tique-tique nervoso!




Existem certos detalhes que eu odeio. Não estou falando das pessoas. Aliás, espero que este post não mude de rumo e acabe virando um desabafo, pois minha intenção não é essa. Quero simplesmente falar dos meus tiques, das coisas que acontecem e eu não suporto.

O que me motivou a escrever este post? Algo que me deixou nervosa. Algo que sempre me deixa nervosa. Refiro-me àquele maldito espaço de propagandas do MSN. Ele sempre se expande e, com isso, trava meu computador! E vocês poderiam pensar que isso acontece quando eu clico no banner. Não, basta eu passar o mouse por perto.

Aliás, por falar em computador, me irrito quando insiro o pendrive na porta USB e esta, apesar de reconhecê-lo, não o abre! Quer dizer, a tonta aqui fica totalmente chocada quando uma janela surge informando que o pendrive está vazio. Acreditem em mim, é uma sensação horrorosa quando há trabalhos salvos no dispositivo e você acha que eles simplesmente desapareceram. Ou quando seu zoológico que você fez na casa dele e que está totalmente próspero aparentemente sumiu. Heh.

Atualizações instantâneas também me irritam, principalmente aquelas que necessariamente farão seu computador reiniciar. Experimentem passar por isso quando você tem que levar um arquivo pra imprimir para entregá-lo, mas ainda não acabou de editá-lo ou fazer retoques finais.

Eu tenho sérios problemas com comidas misturadas. De verdade. Aprendi novamente a comer arroz misturado com o feijão e até misturo um tequinho da farofa, mas é somente isso. Nada daquela argamassa que vejo meus pais fazerem, a qual inclui até partes da salada, do bife e até mesmo da batata-frita. Não misturo molho no arroz de maneira alguma. Jamais como macarrão com arroz, não somente pelo aspecto horroroso que fica no prato, mas porque aquilo se torna pesado demais para eu digerir. Quando há comidas com molho no restaurante, coloco cada qual em um espaço e não como se o arroz 'sujar'. Sim, é frescura. Sim, é um tique.




Recentemente, outra coisa surgiu para me irritar. Eu gosto de usar óculos, mas o problema é quando eles ficam embaçados. Aí eu pego a flanelinha dele, limpo com todo o cuidado e ele fica limpo. NOT. Ele fica com umas manchinhas do pano! Então eu preciso limpar de novo, com mais cuidado, até que não haja mais mancha algum.

Anos atrás, meias costumavam me incomodar. Mas não todas as meias: aquelas que enrugavam onde os dedos ficam. Incomodava, dava calor, era uma sensação terrível! Até eu descobrir que as meias da Lupo não ficam assim porque são mais macias que o normal.

Vocês podem até dizer que eu sou fresca. Não vou negar, mas posso dizer que já conheci muita gente com tiques piores que os meus. É como dizem: de gênio e louco todo mundo tem um pouco. Talvez a minha parte louca esteja pesando mais a balança atualmente.

P.S.: acabei-me de lembrar de outro tique, pouco antes de finalizar o post. Aliás, ele se refere a um aspecto dele. Trata-se do texto não-justificado. Não sei a razão, mas textos não-justificados tendem a me dar a impressão de descuido. Não consigo ler, não consigo ter um ritmo de leitura. Necessito de palavras umas sob as outras para que o texto me seja harmônico.

Você já fez sua Extreme Makeover hoje?

Como vocês podem ter percebido (até forçadamente, após breve divulgação no Twitter), eu mudei de template. A idéia inicial era fazer meu próprio layout, mas eu realmente não sei como. Tive, então, que optar por encontrar um pronto. Meus agradecimentos a uma certa pessoa que também gostou do mesmo layout que eu e cuja opinião foi essencial para a escolha. E também ao @heitorfacini, que foi quem sugeriu que eu procurasse material pronto. De qualquer forma, foi uma mudança, uma reconstrução. Não total, não extrema, mas foi. E é sobre isso que vou falar. Tchan tchan tchan: Extreme Makeover.



Na semana que passou, eu tive a oportunidade de assistir ao programa todos os dias. Às vezes, mais de uma vez. É um dos meus programas preferidos, mas a ausência de tv a cabo aqui em casa impossibilita que eu o acompanhe. Resolvi baixar os episódios, aliás. Nessa porcaria de bairro tem nem possibilidade de fazer gato. Ninguém leu isso.

Para aqueles que não sabem, o Extreme Makeover: Home Edition é um programa exibido aqui no Brasil pela People & Arts. Um grupo de designers demole e reforma totalmente a casa de uma família necessitada. Sim, é um programa de caridade. Eles realizam os sonhos dessas famílias que lutam com doenças, que fazem trabalho comunitário, que ajudam os outros com o pouco que tem ou que perderam um membro da família e estão sem rumo. Sim, é um programa assistencial que divulga muitas empresas. Entretanto, é uma ajuda que beneficia todos os envolvidos. É bastante diferente do brasileiro Lar, Doce Lar, não somente por começar as casas do zero e terminá-las em uma semana, mas principalmente porque transmite uma veracidade muito maior.

O que mais me cativa no programa não são as reformas que eles fazem. Não são os equipamentos que eles instalam, os quartos que criam. Tudo isso eu posso fazer quando jogo The Sims (a propósito, a vontade de jogar aumentou depois da última semana). Eu sinto uma vontade enorme de participar daquilo, de estar lá. As situações expostas me comovem de uma maneira que gera a vontade de poder fazer algo para ajudar alguém. Sim, é um reality show que cumpre muito bem com seus propósitos. Mas de maneira alguma passa a impressão de querer se aproveitar das situações dos outros.

Os membros da equipe mudam conforme as famílias são escolhidas, ou seja, as equipes não necessariamente são as mesmas. Apenas o líder, Ty Pennington, permanece todas as semanas. Ele é, provavelmente, quem é mais afetado pelos dramas das famílias. Eu gostaria de conhecer alguém como ele: naturalmente bom. Aliás, talvez eu queira ser um pouco mais como ele, um pouco mais como as famílias que ele visita. Apesar de todos os problemas, eles não se deixam abater. Pelo menos não na maior parte do tempo. Conseguem lidar com as adversidades, têm força, principalmente força de vontade. A casa geralmente é o menor dos seus problemas, mas acaba sendo suficiente para reparar a maioria deles.

Tempos atrás, eu tinha sérios problemas com programas assistenciais, tanto atrações de televisão, quanto programas do governo mesmo. Eu era radicalmente contra a maioria deles, pois os enxergava como verdadeiras esmolas. Achava que todos possuíam força de vontade o suficiente para melhorar suas vidas. Mas acredito não ser mais assim. Algumas pessoas realmente não têm opção: ou elas recebem ajuda, dinheiro, comida, casa, ou elas não vão conseguir sair dali. O buraco, para elas, é muito mais fundo do que imaginamos. Não há ânimo que traga arroz ao prato de alguém. Não no tempo que eles precisam. Não na urgência necessária.

Houve uma vez um debate acalorado durante uma aula de filosofia. Uma das meninas envolvidas apegou-se fortemente a sua opinião de que uma pessoa na África necessita de doações porque somente a força de vontade não é capaz de materializar comida no meio do nada. A outra envolvida disse que acha que caridade é inútil e desnecessária. Se vocês conhecessem a segunda, entenderiam a facilidade que ela sente para dizer isso; duvido que algum dia ela tenha sofrido para ter algo assim. Há até alguns episódios envolvendo tal pessoa, mas dessa vez não vou nem contar o milagre, muito menos revelar o santo. Ah, sim, eu não estava envolvida. Não participo de discussões porque já percebi que elas costumam conduzir a barracos lá na classe: os envolvidos costumam se apaixonar por suas opiniões.

De qualquer forma, é óbvio que nenhuma pessoa no mundo tem a obrigação de se desfazer do que tem para auxiliar o próximo. Ela faz isso se quiser, oras. Agora, e o governo? Não é ele o responsável pelo bem-estar dos cidadãos? Acredito que ele não faz mais do que a obrigação ao fornecer auxílios sociais a determinados cidadãos. Dizem que isso torna a pessoa mal acostumada, que ela usa o dinheiro para comprar pinga, etc. Até hoje nunca vi ninguém fazer isso e duvido que seja o comportamento comum.

Acho que falta ao mundo empatia. Sei que falta isso a mim. Ninguém realmente se coloca no lugar do outro, geralmente, principalmente porque é difícil saber ao certo o que os outros sentem ou pelo que passam. É difícil acreditar que muitas vezes uma atração televisiva, que esconde tantos outros interesses, seja capaz de ensinar isso a alguém. Posso dizer que reforçou isso para mim, que me atentou para como eu mantinha opiniões por vezes egoístas ou sem fundamento. Sei que Extreme Makeover: Home Edition é, antes de tudo, um programa de entretenimento. Mas por que não posso enxergá-lo como uma oportunidade? Uma oportunidade de ter a minha própria reconstrução total.

sábado, 9 de janeiro de 2010

O mundano é legal

Enquanto escrevo esta postagem, termino de comer o misto quente que minha mãe fez e tento conter minhas lágrimas. Não, eu não gostaria de estar aqui. Eu estava viajando, não interessa para onde, nem com quem, muito embora isso já revele tudo por si só. Foi a melhor semana de férias que já tive em toda a minha vida. De longe. De muito longe. Não há fotos como nas outras, não há aquelas lembrancinhas bregas que todos compram. O que há são apenas as minhas próprias recordações e essas eu jamais conseguiria transmitir a vocês, mesmo que quisesse. Se há uma coisa que eu aprendi a fazer é a guardar certos detalhes para mim. Aliás, detalhes, não. Fatos mesmo. Episódios completos que só interessam a duas pessoas e, portanto, devem permanecer entre elas.

Entretanto, eu precisava de uma introdução para contextualizá-los antes de entrar no assunto deste post. Como vocês sabem, eu moro em uma cidade em que não há cinema. Devo dizer que aprendi a odiar a cidade em que moro após essa viagem que fiz, mas isso é assunto para um próximo post. Enfim, como na cidade a que fui há cinemas, eu não poderia perder a oportunidade de assistir a Avatar, o qual provavelmente é o filme mais falado do último mês. Não vou presenteá-los com uma opinião sem fundamentos a respeito de aspectos técnicos da obra, visto que eu sou totalmente leiga em tais pontos.

Já vi um monte de pessoas afirmar que o filme é um baita clichê. Ok, houve diversas passagens cujos desfechos eram bastante previsíveis. Chegava até a comentar 'nossa, só falta acontecer isso' e, de fato, era o que acontecia. Não vou comparar o filme com Pocahontas como muitos já fizeram, pois nem assisti a esse filme. Mas, pelo que vi das sinopses, são semelhantes em alguns pontos. De qualquer forma, isso é algo que eu não entendo: o estigma dos clichês.

Nunca assisti a nenhum filme no qual não observasse algo que já vi antes. Hoje em dia, no entanto, eu vejo que as pessoas usam como critério de classificação de um filme a quantidade de clichês que nele observam. Desculpem-me pela ignorância, mas eu não tô nem aí se o filme tem ou não tem clichês. Se a história for boa, me agradar, qual é o problema do mocinho ficar com a mocinha no final? Eu não me importo de uma história ter ou não situações recorrentes ou mundanas, pois acho que é justamente para isso que um filme serve. O que as pessoas afirmam ser clichê eu enxergo como situações a quais estão todos sujeitos e pelas quais muitos já passaram. As pessoas mudam; as situações, não. Se não fosse assim, o mundo não estaria cheio de gente por aí pra dizer que te entende, que sabe como é, que já passou por algo.

Num filme como Avatar, há diversas situações mundanas. As pessoas não se apaixonam? As pessoas não mudam com o amor e passam a defender outros ideais? As pessoas não caem na real? As pessoas não repensam suas prioridades? Então! Isso é tão comum! Que o roteiro seja comum, simples, já visto antes. Em Avatar, isso ficou totalmente em segundo plano, na minha opinião. A maneira como a história foi conduzida nos levava a prestar atenção muito mais no que o homem pode fazer com a tecnologia. Levou-me também a pensar que a nossa imaginação não tem limites, muito menos a nossa capacidade de produção. Avatar não é um filme para celebrar a conscientização ambiental: é para celebrar a capacidade, a criatividade e o talento humanos.

Várias vezes, enquanto assistia ao filme, me pegava pensando no quanto gostaria de brincar naquele jardim fluorescente, tocar naquelas plantas que lembram dormideiras (pra quem não sabe, ao relar numa dormideira, ela dorme i.e. fecha as folhas) e voar naquele animal. Exceto a última, são coisas totalmente banais. Mas James Cameron parece ter conseguido criar uma atmosfera que fomenta essas vontades, que as torna tão mais complexas e sofisticadas do que na verdade são.

Talvez isso seja o diferencial do filme: mostrar como o simples pode ser magnífico dependendo da maneira como é retratado. E talvez seja essa a essência do filme.


sábado, 2 de janeiro de 2010

Donkey Monkeys

A idéia para este post surgiu por meio de uma conversa no Twitter. Sim, o assunto virou um chat e aconteceu ontem à noite. Tudo teve início quando @matprates postou a seguinte afirmação extraída da NME. Aliás, a lista das 33 tendências que definiram 2009, por autoria de Luke Lewis, é bastante engraçada. Bom, abaixo, a afirmação:

2. Exciting bands becoming boring Thanks to Josh Homme’s influence as 'Humbug' producer, Arctic Monkeys transformed from Britain’s most spikily eloquent band into a bunch of heads-down noodlers with problem hair and an alarming fondness for double denim.

Basicamente, ele diz o que ficou engasgado na garganta da maioria dos fãs de Arctic Monkeys que conheço. Não farei nenhum tipo de crítica musical aqui, até porque não tenho conhecimento ou argumentos a respeito de tal. Pra evitar que seja um fiasco, então, vou falar o que eu acho de tudo isso.

Eu conheci a banda por causa de I Bet You Look Good on the Dancefloor, alguns anos atrás, em 2006. Desde então, nunca mais parei de ouvir. Não sei explicar o que senti, o que me cativou, o que despertou meu interesse neles. Não, não foi o Alex Turner, pois eu só fui descobrir o rosto dele e de todos os outros membros após ouvir o CD incontáveis vezes. O som me pareceu espontâneo àquela época, despretensioso. Algo que eu só poderia levar a sério se eu quisesse. Maseu não queria! Eu só queria escutá-los e me divertir ao som da música deles. Refletia, claro, quando pensava nas letras, mas não era esse o objetivo. Era simplesmente ouvir música de qualidade e me sentir bem.

Continuei ouvindo a banda, mas ainda não conhecia os B-sides, por exemplo. Àquela época, eu ainda não tinha Internet e pedia para os meus amigos baixarem e gravarem músicas para mim. Enfim, em 2007, durante uma viagem escolar para Campinas, eu comprei o Favourite Worst Nightmare e voltei da cidade até aqui o escutando no CD player de uma amiga. Em pouco tempo, eu já decorara as letras todas. O cansaço da viagem passou enquanto eu escutava a voz rouca do Alex em algumas canções. Contagiada pelas batucadas do Matt Helders, eu sem perceber tamborilava meus próprios dedos e a ponta do pé no ritmo das músicas. Devo confessar que eu faço bastante isso, mas somente quando gosto demais de uma música.

Não comentarei o fato de ter perdido o show deles.

Em 2008, passei a ter Internet e foi quando descobri que o material deles não se limitava àqueles dois álbuns que eu ouvia todos os dias. Baixei tudo que pude encontrar deles, inclusive shows! Para mim, eles eram a melhor banda que surgira nos últimos tempos. A simplicidade que eles colocavam nas músicas de alguma forma me soava tão complexa! Sim, eu sei que estou falando como uma pessoa apaixonada. Mas talvez eu tenha realmente me apaixonado pela banda. Claro que isso me privou um pouco do meu senso crítico, mas eu não me arrependo. Eu jamais gostara tanto de uma banda dessa maneira; jamais me identificara ou me interessara por algo assim.

Houve um certo hiato após o lançamento do segundo álbum e dos singles, durante o qual eu me contentei em baixar qualquer tipo de material relacionado a eles. Felizmente, o Alex não ficou parado e logo veio o The Age of the Understatement do The Last Shadow Puppets. Em um grau menor, mas talvez de uma intensidade comparável, me apaixonei pelo som deles. E continuei ouvindo ambos e tendo o mesmo sentimento que tive da primeira vez que ouvi uma música celes.

Soube, então, que o terceiro álbum estava a caminho. Ouvi algumas músicas novas após fazer o download de um show deles. Eu realmente gostei muito do que ouvi, mas não posso atestar a qualidade das músicas porque a qualidade do áudio era lastimável. Mas, algum tempo depois, algumas canções começaram a sair, até que finalmente Humbug estava disponível em toda a rede.

Da primeira vez que ouvi, devo confessar que detestei. A todo momento, eu me perguntava 'Where the fuck are Arctic Monkeys?'. Eu não me senti mais animada como acontece com os outros álbuns. Foi algo diferente, muito mais sombrio, muito mais pesado, muito mais... triste! Alguns instrumentos que eles resolveram usar, como o órgão, me lembravam de funerais de desenhos animados... Só que, ao mesmo tempo, eu me forçava a dar uma segunda chance a eles. A opinião de todos era muito dividida, mas eu tentava achar que eles apenas buscaram uma evolução, algo diferente. Tentaram mostrar que sabem fazer música boa de outro jeito.

Saíram alguns clipes. Crying Lightning, uma das melhores músicas do cd, é inacreditável. Eu não entendi o conceito do vídeo, embora tenha gostado até que surge o deus guitarra do meio do mar. Olhando bem, hoje em dia, eu achei que eles foram bastante presunçosos ao se caracterizarem como a banda. Deu uma sensação de ego inflado... Talvez eles achem que têm capacidade de fazer a música que quiserem, pois todos vão aplaudi-los e enfiar um prêmio em suas mãos. Talvez eles tenham começado a acreditar no hype.

Cornerstone é minha música predileta do álbum. É uma das únicas em que consigo encontrar a essência da banda, pois é a única que me remete às mesmas sensações de 505, embora de uma maneira diferente. O clipe é igualmente inacreditável. Não pode ser real. Não é real. A simplicidade poderia passar por genial - não vou negar que, num primeiro momento, passou. Mas hoje em dia eu acho tão decadente, tão às pressar, tão 'posso fazer o que quero, vocês vão gostar, mesmo que não tenha nível'. Se por um momento eu senti vergonha alheia, posso afirmar que hoje em dia o sentimento está mais para pena.

Eu gostaria de saber qual foi o elo perdido, qual foi o ponto de transformação. Poderia dizer que foi a Alexa Jezabel Ono Chang ou o Josh Homme. Poderia ser deslumbramento com a fama e com o status que eles conquistaram no cenário musical. Mas se a banda resolveu perder a essência por conta disso, acho que perdi um pouco do meu respeito por eles, já que nunca me pareceu ser essa a proposta deles.

E eles mudaram até mesmo no visual, desde os cabelos até às roupas. Não dá mais para comparar nem com a Mallu Magalhães, porque ela pelo menos já foi apresentada a um pente. E eu não sei se o Alex emagreceu ou resolveu usar só roupas que acentuam que ele pesa tanto quanto eu. Sim, sei que estou reclamando de estética, mas até isso reflete essa mudança deles. Aliás, principalmente isso! E o visual deles parece ser tão forçado hoje em dia que passo a achar que a mudança também o foi. Alguém - ou eles - resolveu mudar. Mas parece ter sido tão proposital, nada espontâneo. E é justamente o contrário do que um dia eles foram! Donkey Monkeys!

A minha esperança como fã - e acredito que a de todos - é que eles aprendam a lidar com esse sucesso. Sim, eles são pessoas e fazem o que quiserem de suas vidas. Mas isso não significa que eles não tenham um compromisso com os fãs, que eles não precisem respeitá-los. Sim, sei que eles não batem nos fãs, não desmarcam shows a todo momento. Mas o respeito nesse caso está relacionado à fidelidade à essência da banda, a qual parece ter se esvaído no meio do deserto americano.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

A história da menina que gosta de História


Uma das coisas de que mais sinto falta é de estudar História. Estou falando sério: eu amo. Não foi sempre assim, pois até a quinta série, eu nem ligava muito pra matéria. E acabei de me lembrar o porquê disso.

Na quinta série, lá no Colégio Sagrado Coração de Jesus, tudo mudou. Fui estudar de manhã, entraram novos alunos, os professores mudaram todos. Enfim, marcou bastante a minha vida. Acontece que o livro de História foi o que mais me impressionou: ele era colorido, tinha uma textura diferente, tinha gravuras legais e muitos textos interessantes. Entretanto, o professor não poderia ser mais diferente do livro. O nome dele era Alex e hoje em dia ele é dono de um salão de beleza. É. E naquela época ele só dava aula de camiseta rosa. É. E ele usava uma capa protetora para não sujar as unhas de giz. É. Ele fazia luzes com bastante freqüência. É. Isso foi há quase 10 anos. É. Deixando claro que a descrição a que me refiro é a física, pois eu costumo associar o perfil físico dos professores às matérias que lecionam.

Prosseguindo, ele não sabia dar aula direito. Juro, ele não sabia dar aula. Chegou na prova, valendo 6, eu tirei 3,5. Naquele momento, parecia que minha vida tinha acabado, pois eu perdera média. Nunca havia acontecido isso em toda a minha vida! Eu fiquei desesperada, não podia ficar de recuperação por causa dele! Passei a véspera da segunda prova estudando com a minha mãe até às 3h da manhã. Fiz a prova e fui super bem, amém.

Pouco tempo depois disso, o Alex desistiu de ser professor de História e foi cuidar do salão. Em seu lugar, entrou uma professora que era um amor: a Rosana. Meu Deus, como ela era boazinha! E como ela explicava bem! Juro, está no meu ranking de melhores professores da minha vida. Ela fez com que eu me apaixonasse pela matéria e passasse a estudá-la por fora, assistindo a documentários, etc. Ela sempre passava filmes pra gente, trabalhos interessantes que aumentaram ainda mais meu gosto pela matéria.

Na sexta série, eu comecei a 'dar aulas' pr'os meus colegas de sala. Isso perdurou até o segundo colegial, aliás. Enfim, duas delas tinham grandes dificuldades em História. Estudamos muito, muito mesmo. Elas quase gabaritaram a prova e a professora ficou extremamente grata a mim. Deu vontade de falar que não precisava agradecer, que era um prazer passar meu tempo estudando tudo o que aconteceu para que o mundo viesse a ser como é agora.

Posteriormente, na oitava série, tudo desmoronou. Meu novo professor conseguiu entrar para a minha lista de piores professores do mundo. Pra vocês terem idéia, a aula era assim: ele passava alguns tópicos inúteis no quadro numa caligrafia totalmente incompreensível e depois passávamos o restante da aula grifando a apostila idiota. A prova era mobral. O teste era totalmente previsível porque, sabendo fazer duas, era só completar o restante da folha em diagonal.

Mudei de escola no primeiro colegial. A experiência não foi lá muito diferente de estudar no CSCJ. Devo confessar que adoraria ter levado comigo alguns professores de lá para o G9. Mas havia uma professora excelente de História na nova escola: a Benerina. Aliás, hoje em dia eu não sei dizer se a professora era excelente ou se eu é que me tornara uma apaixonada por História, pois eu já chegava à aula dela sabendo tudo que ela ia ensinar.

Também passei a ter Artes. Embora a gente exercitasse o lado artístico, também havia a parte histórica da arte. E eu simplesmente adorava porque era tão legal acompanhar de que maneira o que aconteceu num determinado período influenciou a produção artística de tal! Era apaixonante e foi a partir daí que passei a dedicar meu tempo a assistir a documentários no Discovery Channel.

No segundo colegial, passamos a ter História do Brasil com o Paulino. Ele passava grande parte da aula xingando os EUA, defendendo o Lula, defendendo os sem-terra, condenando o capitalismo, etc. Legal era ver os revolucionários de cadeira da sala aplaudindo o que ele dizia enquanto usavam Nike, Adidas, planejavam intercâmbio para os EUA, etc. Ainda mais legal era ver como eles não faziam idéia do que era a teoria socialista. Melhor ainda era eles acharem o comunismo lindo, mas não terem disposição alguma a agir conforme este. Enfim, foi uma experiência muito desagradável ter aula com esse professor. Hoje em dia ele é vereador da cidade. E olha...

No terceiro colegial, História ficou totalmente em segundo plano na grade curricular. Eu estudava numa unidade parceira do Poliedro, que é a escola em São José dos Campos que prepara os alunos pro ITA. Sim, o foco do ensino era nas matérias de que menos gosto: Matemática e Física. História passou a ser uma matéria corrida, explicada superficialmente, pouco respeitada. Era muito triste acompanhar a explicação das revoluções, das obras que marcaram determinados períodos. A Revolução Francesa, em toda sua magnitude, era alocada a um intervalo de quinze minutos. Napoleão passou a conquistar terras em cinco minutos. Snif.

Na faculdade, História sumiu da minha vida. Evaporou. Nunca mais foi mencionada na minha vida, nunca mais foi estudada, nunca mais teve um lugar de destaque dentre minhas preferências. Não tenho mais tv a cabo/Sky/similares para acompanhar os documentários de que tanto gostava. Não tenho dinheiro para comprar todos os livros que gostaria de ler.

Não sei ao certo se algum dia conseguirei incluir de novo História em minha vida; talvez agora a única história seja a minha. Talvez se transforme num simples hobby, apenas numa distração. Adoraria que meus filhos tivessem a mesma paixão que eu tive, pois aprendi muito com essa matéria. A partir disso, desenvolvi meu senso crítico e acredito que isso seja fundamental a todos. Muitos consideram uma matéria monótona, mas me auxiliou a perceber que tudo o que somos hoje pode ser explicado pelo que fomos antes.

Essa é a história da menina que gosta de História.