quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

O Carnaval da Emília

A menina chegou em casa saltitante e contou para a mãe que haveria baile de carnaval na escola. Como a mãe sabia costurar, pediu que fizesse uma fantasia para ela. Não sabia de que queria; apenas saberia que queria. Por dias e dias, a rotina se repetia: a garotinha chegava da escola e encontrava a mãe costurando retalho por retalho a saia de sua fantasia. A mãe saiu sob o sol quase todos os dias para comprar fitas, pedaços de pano e outras coisas necessárias para finalizar a fantasia da filhinha. Aquilo era prazeroso tanto para uma quanto para outra e ambas aguardavam ansiosamente o dia em que a garotinha de 5 anos usaria a fantasia.

Finalmente chegou o grande dia. A menina vestiu a saia, o colant em que alguns retângulos de tecido tinham sido costurados, a meia-calça, a sapatilha e as fitinhas no cabelo. Lá estava: uma perfeita boneca de pano, uma perfeita Emília. A mãe finalizou fazendo a maquiagem da personagem no rosto da filha e se despediu com um beijo doce. A menina seguiu para a escola com o pai, aguardando ansiosamente pelo recreio.

Chegando à escola, estava tão animada que não conseguia parar quieta. Foi brincar de correr com as amiguinhas e acabou batendo com a cabeça numa coluna chapiscada. O machucado ardeu bastante e sangrou um pouquinho. Mais tarde, haveria quem dissesse que explicava muita coisa ela ter batido a cabeça com 5 anos de idade. Mas ela tinha outras preocupações em mente: fazer bonito com sua fantasia de Emília.

A aula custava a passar e ela realmente não prestou muita atenção no que a professora do pré dizia. Desenhou, pintou, fez a atividade pedida, mas não parava de olhar no relógio. Finalmente, 15h! Chegara a hora do baile de carnaval! Apanhou a bolsinha de confete que ganhara da mãe e seguiu com os coleguinhas para a quadra, onde se daria a festinha escolar. A maioria de suas colegas escolhera se vestir de odalisca, de modo que sua roupa era a mais fechada. Mas ela pouco se importava: sentia-se orgulhosa, principalmente porque vestia algo que sua mãe fizera.

A festa foi exatamente como ela imaginara: uma deliciosa bagunça. Todos corriam, pulavam, jogavam confete e serpentina uns nos outros ao som de músicas a que ela não prestou muita atenção. A tarde, entretanto, correu como o vento. Em pouco tempo, ela estava no banco traseiro do carro, cansada, mas feliz com sua fantasia de Emília.

Jamais se esqueceria daquilo, daquela alegria descompromissada, daquela festa animada, daquela diversão. Os carnavais seguintes seriam animados até uns quatro, cinco anos depois, mesmo que sem fantasias. Após isso, já não existiriam. Seria apenas um feriado, uma desculpa para ficar em casa e suspirar por saudades de seu carnaval preferido. Veria apenas pela televisão, desejosa de acompanhar um desfile no Rio de Janeiro. Não veria propósito nos ditos blocos de rua, desculpa para bebidas e pegação em excesso. Não sairia de casa para comemorar em um baile de fantasia em sua cidade, pois eles simplesmente não existem mais.

É, Maria Clara, faz quase 15 anos que você tinha 5 anos.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

I love rumors! NOT.

Ontem, conversando sobre a UNIFEI com a minha mãe, ela me disse o seguinte:

"A Lourdes disse que rolou trambicagem no vestibular da efei neste ano".

Eu sabia exatamente do que ela falara: houve cursos em que pouquíssimas pessoas foram aprovadas, apesar de muitas terem se inscrito. Isso ocorreu porque os desclassificados não atingiram a nota mínima no ENEM, o qual era um dos pré-requisitos. Caso você atingisse ou superasse a nota mínima, teria sua prova específica dissertativ
a corrigida seria (ou não) aprovado.

Mas por que eu estou contando isso? Oras, porque isso me fez pensar nos boatos e em como a maioria deles seja baseada em ignorância ou maldade. Claro que há verdade por trás de alguns deles. Aliás, já dizia Hans Landa: "I love rumors! Facts can be so misleading, where rumors, true or false, are often revealing". Sim, de fato: muitos boatos tendem a revelar algum tipo de verdade. No entanto, baseiam-se em quê? Em especulações.



O pior de tudo são as especulações provenientes da maldade. TV Fama sobrevive disso e é lamentável. Dá até pra compreender a antipatia de gente famosa em ceder entrevista. Edição é uma ferramenta pra gerar boato. Basta dar uma manipulada e voilá! Você cria uma nova realidade, a qual muitas vezes pode causar muitos e muitos estragos, além de dores de cabeça.

Já a ignorância gera boatos como o que apresentei neste post. Não estou chamando ninguém de burro, longe disso. Mas provavelmente o rumor foi criado por pessoas que desconheciam o critério utilizado pela faculdade e escolheram o caminho mais fácil pra explicar a situação. Isso acontece o tempo todo, principalmente quando julgamos uma determinada situação baseada em nossas impressões, não no conhecimento.

Uma das coisas que eu mais tenho tentado ultimamente é ficar longe desse tipo de especulação. Claro que ainda sou humana e gosto de um pouco de fofoca. Entretanto, queria ao menos amenizar isso e tentar ser menos ignorante e menos maldosa às vezes.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Eu não entendo o Oscar

Eu não entendo os critérios da Academia que seleciona e elege filmes para receber o Oscar. O post de hoje será bastante direto ao ponto por algumas razões:

1. Tô mais pra lá do que pra cá
2. Não conheço com profundidade
3. Não vi todos os filmes indicados

Bom, eu vi Guerra ao Terror (The Hurt Locker) semana passada. Passei a maior parte do tempo encarando o mostrador do DVD para saber quanto do filme já fora. O filme mal tem diálogos, mal tem trilha sonora e funciona na base da observação. Não sei quanto a vocês, mas eu não tenho saco para ver gente desarmando bombas ou passando horas sob o sol para dar um tiro no inimigo. A única coisa que o filme me causou foi a seguinte pergunta: "que tipo de pessoa vê prazer nisso?". Porque, olha, garanto que não senti prazer nenhum assistindo ao filme. Já pensou viver isso? Socorro.

Hoje eu vi "Precious". A tradução do título provavelmente é para mascarar o que o filme realmente é: uma história de desgraça. Esperança? Onde? Na cena final? Olha, sinto muito, a história DELA é tudo menos isso... Agora, talvez dê esperanças para os espectadores por não terem uma vida como aquela... Enfim, as atuações são excelentes. Mas o filme só mostra drama e infelicidade. Sabe, tem tanto sofrimento que parece até impossível que isso exista na realidade. Eu quase dormi em muitas das passagens e mudei de tela em outras. Vejam bem, eu não estou cansada hoje, mas o filme me deixou cansada. Vai ver 'sofrimento ilimitado' é um dos pré-requisitos para a indicação de um filme.

Houve, também, Onde os Fracos não têm Vez (No Country for Old Men) um tempo atrás. Olha, a atuação do Javier Barden pode ser sido espetacular, mas não foi suficiente para carregar o filme. É simplesmente cansativo, cheio de rodeios. Poderia ter tido um roteiro tão mais enxuto...

Aliás, parece que 'incompreensão das massas' é um critério para que um filme seja indicado ao Oscar. Quer dizer, geralmente é um pequeno grupo de pessoas especializadas que escolhe o filme. Entretanto, já vi tanta gente querer tirar leite de pedra, como a Érika disse. Não admitem que o filme quer apenas cumprir um determinado objetivo. Não, tiram mil e uma interpretações dele! Essas premiações são tão subjetivas que é estranho ver que tanta gente coloque-as num pedestal... Vai saber!

sábado, 6 de fevereiro de 2010

A menina e a culinária



Eu disse anteriormente que não postaria, por enquanto, minhas impressões de alguns filmes indicados ao Oscar a que assisti. Entretanto, resolvi mudar de idéia. Hoje, vi Julie & Julia, filme estrelado pela excelente Meryl Streep e por Amy Adams, que deixou um pouco a desejar.

O filme me cativou. E isso aconteceu por uma razão bastante particular: a culinária. Desde criança, eu sempre tive interesse nisso. Quando minha mãe cozinhava, eu sempre estava por perto, ajudando-a ou simplesmente sentindo o aroma agradável da comida. Eu adorava assitir a programas em que ensinavam a fazer comida, principalmente o extinto Note & Anote. Sim, eu sei que eu era muito criança, mas gostava mesmo assim. Costumava brincar de programas culinários nos quais eu era uma grande chef de cozinha com um programa de televisão. Além disso, via "Minha comida favorita" na TV Escola, programa em que crianças apresentavam a culinária típica de seus países. Nem precisa dizer que eu imitava tudo depois.

Aliás, eu costumava receber da Nestlé uma série de revistas de culinária. Não, eu não assinava: a Nestlé simplesmente mandava. Primeiramente, foram livretos de culinária infantil. Depois, revistas com receitas mais complicadas e matérias sobre alimentos. Passei uns 8 anos recebendo essas publicações, até que pararam de mandar.

Com o tempo, conforme minha atenção se deslocou para a escola, eu acabei deixando um pouco de lado a culinária. Poderia, sim, ter me dedicado a aprender a cozinhar direito e me arriscado a fazer pratos mais complexos. Entretanto, não foi isso que aconteceu. Continuei acompanhando programas do gênero, como Hell's Kitchen, Top Chef e Ramsay's Kitchen Nightmares.

Ano passado, no entanto, voltei a experimentar aquela vontade de aprender a cozinhar direito quando voltei a acompanhar Hell's Kitchen, após mais de um ano. Nossa, não consigo explicar a sensação que tinha ao ver cada episódio! Sim, era um reality show, mas eu ficava muito impressionada com a parte gastronômica dele. Fiquei até mesmo com vontade de ter meu próprio restaurante!

Tal vontade apareceu com mais força hoje, enquanto eu via Julie & Julia. Quis ser a Julie e fazer todos aqueles pratos em casa. Quis experimentar a alegria que ela sentia ao ver seus amigos elogiarem sua capacidade. Quis entrar em contato com aquela comida, com aqueles ingredientes. Quis ser como a Julia enquanto ela fazia seu curso de culinária. Quis, principalmente, ter meu próprio restaurante em que eu seria chef de cozinha!

Contudo, eu também sei que isso vai depender do meu esforço, do meu tempo e da minha dedicação. É, por enquanto, uma vontade, um possível sonho. Não é algo que pretendo fazer, mas que me traria muita alegria se eu conseguisse. Eu amo comida. Amo, logicamente, comer boa comida. Mas aprender a prepará-la me traria disciplina, concentração e, principalmente, alegria. E, quem sabe, realização.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Tempos modernos what?

Após cerca de uma semana sem postagens, estou de volta. Digamos que eu desfrutei da outra melhor semana de férias que já tive, tendo a primeira sido no começo de janeiro. As duas foram igualmente excelentes e as melhores de todas as férias que já tive. Claro que as saudades voltam com muita força. Mas não é isso o ponto do post de hoje.

Eu ia falar dos filmes a que assisti, mas ainda falta ver alguns. Então, acho que esse assunto ficará para o futuro. Não quero falar de mim, de meus sentimentos, pois acho que o momento não é propício. Que tal falar de algo banal? Parece muito mais apropriado, embora não muito atrativo. Estou com muita dor de cabeça neste exato momento e raciocinar demais piora tudo. Além disso, meus próprios olhos estão doendo, de modo que encarar o monitor parece um calvário.

Pois bem, um dia eu planejava escrever sobre a falta de cabimento da minissérie Dalva e Herivelto. Até iniciei o post e me deparei com uma questão. Antigamente, as minisséries costumavam durar um mês quase. Hoje em dia, não passam de cinco dias. Eu não entendo se é falta de roteirista, de atores, de disposição. Aliás, foi exatamente isso que motivou o post de hoje.

Eu estava vendo Tempos Modernos, que é a novela das 19h da Globo. Por quê? Oras, simplesmente porque eu não tenho nada pra fazer nesse horário. Percebe-se, não? Enfim, em poucos episódios, já é possível perceber que a atração não tem o mínimo de pé nem cabeça. Olha, nada contra atores iniciantes. Mas o elenco é quase todo desconhecido e pouco preparado. Nota-se a falta de carisma, de envolvimento, de expressão. É como assistir a Malhação. Entretanto, enquanto este tem o propósito de servir como laboratório/celeiro de atores, a novela das 19h tende a ser algo mais consistente. Sem mencionar a Grazi. Ela pode ser simpática e carismática, mas não convence nem minha avó como mulher fatal que sabe lutar. Booooring.

O enredo é um caso totalmente à parte. Um ricaço se finge de doente e acaba descobrindo que de fato está doente. Duas dondocas que andam pra cá e pra lá de vestidos com brilhantes em pleno centro de São Paulo. Uma maternidade dentro de um prédio. Uma São Paulo sem chuva. Uma gangue de lutadores de artes marciais que planeja dominar um prédio. A propósito, isso merece menção honrosa, pois, no primeiro capítulo, o Guilherme Weber (Albano) disse o seguinte: esse prédio um dia será meu MUAHAHAHAHA. E sabem o que é pior? O Dr. Abobrinha participa da novela interpretando um homem mudo.


Esse castelo, ops, prédio um dia será meu MUAHAHAHAHAAHA!

Além disso, a novela parece ter sido inspirada na minissérie Cinquentinha e na novela anterior, Caras e Bocas. Agora há uma disputa entre três pessoas por uma fortuna. É um desafio em que se deve maximizar o dinheiro que o Antonio Fagundes deixou às filhas como herança.

Eu tento e tento, mas não me conformo com essa novela. Talvez a falta de noção seja um pré-requisito nesses tempos modernos...